sexta-feira, 1 de junho de 2012

Leituras Maio 2012

Este foi um mês produtivo em termos de quantidade de livros assim como da qualidade dos mesmos.
Este mês tive o prazer de ler:


Os livros que li este mês têm características particularmente distintas. Talvez os livros de Rui Zink e Ricardo Araújo Pereira se assemelhem bastante pois o conteúdo de ambos denota alguma semelhança não nos seus temas mas sim no estilo de escrita (crónicas humorísticas). Estes são livros que, como disse anteriormente, fazem realmente rir. Para os leitores menos ávidos a esta actividade poderá soar estranha a ideia de rir olhando para as páginas de um livro mas é o que acontece muitas vezes enquanto se lêem estas páginas. Ambos sabem como utilizar a palavra em seu benefício e no benefício da comicidade que poderão causar.
Os outros dois são dois romances totalmente distintos escritos por autores totalmente distinto. Hubbert Selby Jr. com uma escrita dura, crua e agressiva que relata um mundo e uma sociedade que o leitor espera definitivamente que seja pura criação ficcional. Já Haruki Murakami, escritor célebre no mundo da literatura, apresenta uma escrita mais cuidado e sensível prestando especial atenção às relações humanas.

Destaco como a melhor leitura do mês o livro de Haruki Murakami, 1Q84. Este é um escritor que nunca me desilude e sempre me surpreende. Um livro magnifico, descrevendo o paralelismo entre duas vidas totalmente distintas de duas pessoas totalmente distintas. Ou talvez não. Um livro que deixa uma enorme ânsia em ler o seu segundo volume e os que venham consequentemente. Poderei arriscar e dizer que Haruki Murakami é talvez o escritor que mais prazer me dá aquando da leitura dos seus livros. E o que é a leitura senão o prazer que esta nos proporciona? De que servem horas passadas rodeado de letras se o que retiramos disso são tempos pesarosos de obrigação literária?

Em suma, um mês satisfatório com boas leituras que não me desiludiram.
   

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Aquisições Maio 2012

A partir de hoje, todos os meses irei colocar as minhas aquisições mensais. Como tal, apresento agora as aquisições do mês de Maio prestes a acabar:


Foi um mês onde adquiri livros que não contava adquirir tão cedo como é o caso do Claraboia ou do Cozinha Confidencial do Anthony Bourdain.



À excepção de O Inferno de Dante, os restantes livros foram todos adquiridos através do site de troca de livros Winkingbooks.

Clarabóia de Saramago dispensa apresentações. Já há muito que ansiava ter este livro sendo este o segundo romance escrito pelo Prémio Nobel que só agora foi publicado.

Em Cozinha Confidencial, Anthony Bourdain, conhecido chef e jornalista, protagonista do programa transmitido na Sic Radical Sem Reservas, relata o que se passa nas cozinhas em que já trabalhou. Um ambiente gastronómico de Sexo, Drogas e Rock'n'roll.

O Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy. Conheço pouco acerca deste livro e da sua autora mas ouvi falar imenso deste livro, quase sempre positivamente e decidi adquiri-lo.

A Boca do Inferno, cuja opinição já expus aqui, reúne um ano de crónicas do humorista português que proporcionou interessantes momentos de comédia escrita.

Para terminar,  O Inferno de Dante. Esta edição do diário de notícias adquirida numa feira de velharias pela módica quantia de 0,50€ é a adaptação para prosa do poema O Inferno de Dante pertencente à Divina Comédia.

Foi um mês positivo em termos de aquisições e estou ansioso para poder ler estes livros.

Em Junho haverá mais!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Luto Pela Felicidade dos Portugueses - Rui Zink


Opinião:

Permitam-me citar a pequena biografia do autor que se encontra na contracapa deste livro:
"Rui Zink (Lisboa, 1961) é um simpático escritor português no activo desde 1984. Os seus livros estão traduzidos em vários países e, provavelmente, mesmo em vários planetas. É também professor auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A sua última novela é A Espera (Teorema, 2007).
 Neste livro encontramos crónicas escritas pelo autor entre os anos 2000 e 2005 na revista SOS Saúde. Nestas crónicas, o autor propõe-se a responder à grandes questões e temas das sociedade actual.    Simplificando, este é um livro que tem de facto muita piada. Já há muito que sigo o que este autor escreve e este é alguém que respeito bastante intelectualmente. Temas recorrentes como o sexo ou a família até temas menos comuns como os dez mandamentos criados pelo próprio autor são alguns exemplos do que irá encontrar se optar por ler este livro. Apesar de o registo do autor ser e estar directamente relacionado com o humor, em algumas das crónicas este assume um tom mais sério. Um exemplo disso é a crónica onde Zink escreve sobre a morte, mais especificamente a morte de um amigo e o facto de quando nos deparamos com ela, as palavras que proferimos serem frequentemente erradas para a ocasião.
Em suma, um livro muito interessante de um autor que proporcionará certamente bons momentos de leitura. Recomendo.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Boca do Inferno - Ricardo Araújo Pereira

 Ricardo Araújo Pereira é um humorista português. De facto, neste momento, é possível que Ricardo Araújo Pereira seja o maior nome do humorismo em Portugal. Dividido entre Stand-Up, o projecto de sucesso Gato Fedorento, as crónicas da Visão (presentes neste livro), as crónicas no Jornal ABOLA (projecto já extinto), as rúbricas radiofónicas como O Governo Sombra ou A Mixórdia de Temáticas Ricardo Araújo Pereira afigura-se como um sucesso no panorama da comédia nacional. Mas não só de comediante se caracteriza este autor. Para além disso, é também um comentador político e, facto este deveras importante, um ávido e fanático adepto do Sport Lisboa e Benfica, clube esse que constitui muitas vezes alvo dos seus trabalhos onde este mostra a sua paixão clubística com o seu tom humorístico característica.
 Nesta obra estão reunidas um ano de crónicas deste autor  na revista semanal Visão. Os temas afiguram-se os mais diversos mantendo o autor sempre um registo cómico e jocoso. Desde política a futebol, religião e história, natureza e família. O autor aborda diferentes temas consoante os acontecimentos da semana anterior (nota que todas as crónicas remetem ao ano de 2005). O tom irónico que o autor imprime nas suas palavras promete indubitavelmente um tempo bem passado durante a leitura destas 120 páginas definitivamente animadas. Apesar de todo o discurso ser obviamente centrado no objectivo da comicidade, o autor apresenta factos, políticos e sociais, que permitirão que o leitor fique informado sobre o panorama actual e a situação do país (sendo que a maioria das crónicas são sobre Portugal). 
 Este livro cumpre aquilo que se propõe. Uma leitura interessante de um escritor que utiliza o humor inteligentemente para fazer valer os seus argumentos bem sustentados numa aura cómica. É um livro acessível que apenas requere algum conhecimento relativamente a alguns intervenientes presentes na nossa Assembleia da República para a melhor compreensão das crónicas. Ricardo Araújo Pereira é sem dúvida um humorista que aprecio e tendo em conta os livros que já li dele, um escritor que aprecio. Este sabe como utilizar as palavras a seu favor e sabe como atrair o consumidor para os seus trabalhos.

sábado, 19 de maio de 2012

Última Saída para Brooklyn - Hubbert Selby Jr.

 Hubbert Selby Jr. foi um escritor Norte Americano cujas obras com características únicas o tornaram célebre no panorama literário internacional. Com obras cujo consenso relativamente à sua qualidade nunca fora atingido devido à irreverência e crueldade dos seus trabalhos. Alvo de censura, Selby Jr. manteve desde sempre o seu estilo rebelde aquando da transmissão das suas palavras e histórias. Tem como suas principais e mais conhecidas obras os livros Última Saída para Brooklyn (este que vos apresento) e Requiem For a Dream. Sem conhecer muito deste autor ou sendo sincero, sendo ele completamente desconhecido para mim, fui atraído por uma visualmente atraente edição da editora Antígona.
 O carácter "maiores de 18" deste livro começa desde logo pela capa. Com uma "bolinha" vermelha (símbolo característico dos filmes impróprios para serem visualizados por crianças) situada no canto superior direito do livro, esperamos desde o início uma linguagem e uma história pouco aconselhada para os mais sensíveis. Aqui vemos o lado mais negro dos meandros de Brooklyn. Um grupo de amigos constantemente bêbados frequentadores do bar de Alex. Levam a vida vivendo um dia de cada vez. Dia de cada vez esse passado entre bares, assaltos e bares ou encontros com prostitutas. Travestis que vêem uma oportunidade nesse tal grupo de rapazes rebeldes. Descrições pormenorizadas do que é o ambiente "underground"das ruas mais perigosas de Brooklyn. Ruas imundas manchadas por crimes, prostituição. Oportunistas. Gangues de mulheres e homens que utilizam armas pouco comuns para atingir os seus objectivos. Uma mulher de seu nome Tralala. No fundo, pessoas "originais" que não estamos habituados a ver nas esquinas por onde passamos todos os dias. Os anos 50 em Brooklyn onde a crueldade dos acontecimentos ali se desenvolvem são relatadas de forma irrepreensível por parte Selby Jr. Talvez não seja fácil atribuir um enorme valor literário a esta obra. Mas também, o que é isso de valor literário? A meu ver, uma obra tem valor literário se aquando da minha leitura eu me sinta satisfeito e acima de tudo, entretido enquanto leio. Por um livro, para além de tudo o que podemos ganhar com a sua leitura e que ganhamos definitivamente, é também uma forma de nos entretermos. O autor não poupa qualquer palavra ou sentimento. Não tenta resguardar este ou aquele leitor. Neste livro podem esperar uma escrita nua e crua. Uma escrita que verão em muito poucos livros ou talvez até em nenhum para além deste.
 Esta foi sem dúvida uma leitura diferente. Uma leitura fora daquilo a que estou habituado. Não querendo dizer com isto que foi mau. Pelo contrário. por vezes ler obras menos aclamadas pela crítica faz-nos querer ir à procura do que há lá fora. Do que há fora do nosso espectro de normalidade. Não sei se deva ou não recomendar uma obra deste tipo pois haverá certamente um sem número de pessoas que irão, e usarei uma palavra forte intencionalmente, repudiar a obra e a escrita do autor. No entanto, aos que não são facilmente impressionáveis, leiam isto. Leiam isto com a mente mais aberta possível e garanto que irão retirar daqui importantes ilações e experiências.
 Uma pequena nota ainda para a tradução de Paulo Faria que a meu ver, apesar de exagerar um pouco com as aglutinações de palavras para as tornar de certa forma num tom "brejeiro", consegue transmitir o carácter dos intervenientes da história de modo a que nós leitores entendamos a personalidade das personagens que lemos.




domingo, 13 de maio de 2012

Resumo Feira do Livro 2012

Bom a Feira do Livro deste ano foi menos produtiva em termos de quantidade mas ainda assim voltei bastante satisfeito com as aquisições. Aqui vão:













Pão com Fiambre de Charles Bukowski.













O Bom Inverno de João Tordo













O Senhor Breton de Gonçalo M.Tavares

Este ano foram estes os livros pelos quais optei dentro de umas infindade possível de escolhas.
Fica um balanço positivo da Feira deste ano e cá estaremos nós leitores à espera do próximo ano.
Boas leituras!

1Q84 Vol.1 - Haruki Murakami

 Este é um autor que não demorou muito, nem tão pouco muitas obras lidas até poder considera-lo um dos meus preferidos. Murakami destaca-se pelo ritmo que imprime nas suas obras. Pelos enredos cruzados que  cria e que agarram o leitor às suas palavras. Arrisco dizer que dentro de todos os escritores que admiro Murakami é dos que mais prazer me dá. Apesar de parecerem simples, as suas histórias são indubitavelmente complexas e enigmáticas. Tudo parece pensado para atrair o leitor e para dificultar que este largue o livro e pare de ler. A própria estratégia de publicação, em vários volumes espaçados por apenas meses faz com que o leitor fique na expectativa ansiando por um novo volume.
 1Q84. Ou 1984. Nome da célebre obra de George Orwell. Ano em que se desenrola a obra de Murakami. Este romance esta divido em vários capítulos onde alternadamente vemos o desenrolar da vida de Aomame e Tengo, ambos com 29 anos. Tengo, professor de Matemática, escritor, revisor. Anseia há muito ver o seu romance publicado mas está ainda a desenvolver e amadurecer a sua capacidade escrita juntamente com o seu "cúmplice" Komatsu. Vê entrar na sua vida Fuka-Eri, jovem escritora autora de A Crisálida de Ar. Presente numa relação carnal com uma mulher 10 anos mais velha. 
Do outro lado, Aomame. Profissão algo indefinida. No entanto, trabalha como instructora de artes marciais num ginásio. Ensina a arte de correctamente "chutar os testículos de um homem" classificando-a como a única forma de uma mulher naturalmente fragil se defender de um homem naturalmente mais forte. Assassina em part-time ou talvez mesmo em full-time. Apreciadora de homens de idade algo avançada. Calvos ou a caminhar para a calvicie. Preferencialmente com cabeças bonitas. Parecidos com Sean Connery. Conhece Ayume. Solteira tal como ela partilham momentos apaixonantes. Frequentador da casa de uma velha anciã que no seu passado tem vários segredos e confissões obscuras. O mordomo e guarda costas Tamaru.
 É com esta premissa que se desenvolve o enredo deste romance. É em torno destas duas personagens que Haruki Murakami constrói uma cativante e original história onde indecisões e más decisões, pensamentos obscuros, duas Luas, "guillacks", Povos Pequenos e muito mais nos transportam para um mundo no limiar da realidade. A escrita crua de Murakami causa-nos por vezes os "arrepios na espinha" que sentimos quando estamos a ler algo que parece demasiado real.
 Mais uma obra prima de Murakami. Aconselho todo e qualquer leitor a lê-la seja a primeira obra que lêem do autor ou não. Em breve adquirirei o segundo volume (1Q84 Vol.2) e após ler, publicarei aqui a minha opinião.

sábado, 5 de maio de 2012

Ler Murakami

Refrescante. Único. Diferente de outro qualquer autor. Ler Haruki Murakami não se assemelha a qualquer outro autor. Copiando de certa forma a frase de Saramago relativamente a Gonçalo M. Tavares, Murakami escreve tão bem que até irrita. Um dos meus predilectos, sem dúvida. As suas obras apesar de geralmente volumosas são obras que se lêem quase num fôlego considerando a estruturação peculiar mas fluída das suas palavras. Este é um daqueles escritores que dizemos que sem dúvida um dia ganhará o Nobel da literatura. Deixarei uma análise mais profunda aquando da publicação da opinião de 1Q84 que surgirá em breve.
Boas leituras.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Estorvo - Chico Buarque

 O interesse inicial que este autor me suscitou provém da sua obra musical. Um dos mais famosos artistas da música popular brasileira, Chico Buarque transporta a musicalidade e sensibilidade das suas letras musicais para os livros que escreve e ao mesmo tempo o carácter revolucionário e agressivo que é característica presente em alguns dos seus temas. Este escritor brasileiro transporta para os seus romances a sua poesia musical. Ao ler os seus livros é fácil embarcar na história embora esta se revele complexa e deva ser lida com total atenção. Com uma linguagem fluída e bem estruturada, é preciso algum cuidado ou corremos o risco de ler os seus livros de um folgo. 
 Estorvo é o segundo livro que leio deste autor sendo o primeiro o seu já adaptado para o cinema, Budapeste. As diferenças entre os dois são notórias e é necessário ter em conta que Estorvo é o primeiro romance de Buarque, publicado em em 1991 e Budapeste é publicado em 2003 notando-se de certa forma algum amadurecimento na capacidade de escrita do autor. Este romance venceu o prémio Jabuti, considerado dos mais importantes prémios literários do brasil.
 Neste livro Buarque mostra-nos um homem sozinho. Perdido no coração da grande metrópole este sente-se deslocado numa sociedade que não é a sua e numa sociedade onde ele não encaixa. Rodeado por um ambiente de mero interesse monetário e futilidade ele sente-se só. Podemos ler a solidão humana nas palavras de Chico Buarque. Embrenhado numa família que há muito não é a sua, uma cidade que há muito não é sua, um mundo que ele sente não ser seu. Seguimos as suas histórias na precariedade emocional que á a sua vida.
 Estamos perante uma obra de um grande valor literário, mas talvez passível de não agradar a qualquer leitor.
 Fica a opinião, mais virão.

sábado, 28 de abril de 2012

O Ano da Morte de Ricardo Reis - José Saramago

 Não há necessidade de proceder a apresentações quando se trata de Saramago. Primeiro e único Prémio Nobel. Um dos maiores nomes da literatura não só Portuguesa mas Mundial. A par de Fernando Pessoa e Luís de Camões, Saramago é um marco no panorama literário Português. E falo intencionalmente no presente pois é injusto fazer referências a autores como este no passado. Os mestre não morrem. Nem tão pouco os génios. Até há bem pouco tempo os livros de Saramago intimidavam-me. Assustava-me principalmente o constante "sururu" relativamente à dificuldade e complexidade da sua escrita. Essa dificuldade existe, claro. Assim como uma enorme complexidade nos enredos criados. No entanto são apenas factores que me levam a saborear ainda mais os livros de Saramago. Estes têm um sabor que não encontro em mais nenhum autor. As palavras de Saramago embora cruas apresentam uma sensibilidade incrível. É isso que torna únicas as suas obras. Mesmo num país onde muitos não o compreendiam, todos o admiram. Não ser fã de Saramago dura apenas um parágrafo. Uma linha. Uma linha de palavras sábias conjugadas na perfeição criando verdadeiras obras primas. A arte de Saramago é inegável. 
 O Ano da Morte de Ricardo Reis foi publicado em 1984, dois anos depois da publicação de uma das suas obras primas, O Memorial do Convento. Esse simples facto colocou instantaneamente uma fasquia altissima aquando desta publicação devido ao grande protagonismo adquirido pelo Memorial do Convento. Saramago cumpriu as expectativas e mais uma obra magnífica havia sido publicada. Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa, regressa do do Brasil voltando sem objectivos traçados. Alojado no Hotel Bragança, Ricardo Reis vive uma jornada onde se ambienta de novo à não tão pacata realidade Lisboeta. Marcenda e Lídia formam parte das dores de cabeça de Reis. Pimenta e Salvador, fiéis ou nem tanto, trabalhadores do hotel. Victor, polícia cujo hálito a cebola causa náuseas a Ricardo Reis. E claro, Fernando Pessoa. Espírito ou fantasma. Alma do outro mundo. Conversa como se vivo com Ricardo Reis. Falam da morte e de poesia não querendo atribuir eu, relações entre ambos.
 Esta fascinante obra suscitou em mim um interesse enorme aquando da sua leitura. Devo destacar alguns elementos que me fascinaram durante todo este livro. Desde o nome de uma das protagonistas, Marcenda, nome esse não identificado no dicionário do computador de onde vos escrevo.  O tempo que demora até esquecer um falecido. 9 meses é o tempo em que esquecemos quem morre. O mesmo tempo que demora até vermos alguém que nasce. Até à tristeza de não saber que 15 minutos antes de morrermos estávamos vivos. 
 Está é uma das melhores obras que já li de Saramago. Recomendo vivamente.