Uma curta homenagem a este grande poeta que nos deixou. Ficámos mais pobres, mas obrigado pelos livros que nos deixaram mais ricos.
sábado, 20 de outubro de 2012
Manuel António Pina
Uma curta homenagem a este grande poeta que nos deixou. Ficámos mais pobres, mas obrigado pelos livros que nos deixaram mais ricos.
Mizé - Antes Galdéria do que Normal e Remediada - Ricardo Adolfo
Ora desta vez optei por ler um escritor Português, de seu nome Ricardo Adolfo e não poderia estar mais satisfeito. Que grande leitura esta. Já tinha ouvido muitas opiniões e criticas positivas relativamente a este autor e a este livro e assim que surgiu a oportunidade de o adquirir não a deixei fugir. Apesar de já estar à espera de um livro com alguma qualidade não esperava que esta leitura me proporcionasse tamanho prazer.
Mizé, cabeleireira e destinada a ser famosa independentemente dos meios que possa utilizar. Palha, o ingénuo vendedor de batatas fritas que vê em Mizé uma paixão e um sonho que o leva a pedi-la em casamento. A ânsia de fama que Mizé possui traz vários episódios atribulados para a vida de Palha que deixam o protagonista completamente desnorteado. Palha parte numa busca para saber toda a verdade obscura do passado da sua mulher embora tentado muitas vezes em esquecer e concentrar-se no que ele quer, nomeadamente, noites inteiras de carinho com a exuberante Mizé que não tem na mente o mesmo objectivo de futuro. Concentrado na inocência da sua mulher, Palha não se apercebe na teia de mentiras em que ele próprio ficou preso. Com problemas no emprego, Palha vê lentamente a vida que conhecia desmoronar-se sem que este possa fazer nada e vê na sua estrela Mizé uma relação cada vez mais confusa.
Este livro é a imagem dos suburbios. Não faltam o calão e os palavrões. Não faltam as conversas de café e as coscuvilheiras e coscuvilheiros. Não faltam as bicas e as garrafas de vinho. Não falta a pornografia e o prazer. Ricardo Adolfo é exímio na criação dos diálogos de cada personagem que soam exactamente ao que estamos habituados a ouvir aquando de situações semelhantes nos suburbios das grandes cidades. As relações entre as várias personagens são perfeitamente desenhadas tornando o bairro social Esperança num mundo colorido e divertido. As personagens embarcam em diálogos repletos de comicidade que com várias expressões idiomáticas arrancam com facilidade verdadeira gargalhadas ao leitor.
Recentemente, pela mão do realizador António Pedro Vasconcelos, este romance foi alvo de uma interpretação feita por Nuno Markl (Palha) e Ana Galvão (Mizé).
É um livro sem dúvida recomendável que proporciona vários momentos de prazer. É um escritor a que tentarei voltar com brevidade assim que terminar algumas leituras pendentes.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Imagem do Dia (1)
Algo que aprecio bastante são estantes de outros leitores e apreciadores de livros. Gosto muito de poder ver o espólio literário daqueles que vêem no coleccionamento, para além da leitura, um hobby interessante. Para além disso, atraem-me também novas formas de expor as nossas preciosidades de formas esteticamente menos comuns e que surpreendam à primeira vista.
Para iniciar esta rubrica trago-vos uma imagem com 3 exemplos de estantes com formas que não vemos no quotidiano. Muito criativo sem dúvida.
Para os que partilham deste meu interesse, fica o link de mais formas de surpreender :)
domingo, 14 de outubro de 2012
Norwegian Wood - Haruki Murakami

Este foi o primeiro Best Seller do autor vendendo vários milhões de cópias em todo o mundo e já adaptado ao mundo cinematográfico. Publicado em 2004 em Portugal, é um romance de 1987.
E é mais um livro de Murakami e mais um tiro certeiro do escritor Japonês. Parece haver uma formula infalível pela qual o autor se rege não havendo margem para erro. Várias relações amorosas. Instabilidades físicas e mentais. Personagens com características pouco comuns. Acontecimentos do sobrenatural. Morte. E música. Muita música. Não significa contudo que os seus romances sejam todos iguais ou que sigam todos a mesma linha de desenvolvimento. De facto, estão muito longe disso. Murakami é um mestre contador de histórias.
Neste livro temos como protagonista Toru Watanabe, um estudante universitário que reside num dormitório com uma personagem peculiar, de sua alcunha Sargento. Watanabe vê no romance de Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, uma inspiração. Trabalhando em part-time em diversos empregos Watanabe ganha o suficiente para viver uma vida de estudante desafogada. Enlaçadas nesta história estão Naoko e Midori. Ambas com personalidades peculiares, estas complementam todo o enredo da história e é com este trio que convivemos durante as cerca de 350 páginas que constituem este romance. Naoko, ex-namorada do melhor amigo de Watanabe, Kizuki. Grande paixão de Watanabe mas que com a morte do seu namorado e amigo de infância interna-se numa instituição de recuperação para pacientes cujas características não estão bem definidas. Midori, colega de faculdade de Watanabe. Uma personagem sincera e excitante e muitas vezes "desbocada" que traz novas emoções ao protagonista. A toda a atmosfera de instabilidade emocional que assola o livro juntam-se os constantes movimentos estudantis característicos dos anos 60 onde o romance se passa.
Este é um livro bastante emocional que denota que desde o início Murakami tem uma habilidade tremenda para fazer sentir. Ele faz-nos sentir cada personagem, cada diálogo, cada passo.
Não tivesse gostado tanto do livro e as palavras que se seguem seriam bem mais duras. Fica então uma crítica para a editora que disponibilizou o livro, a Civilização. A impressão é mesmo muito pobre com vários parágrafos do livro com falta de tinta. Por momentos pensei que fosse apenas da minha edição mas verifiquei casos similares em diferentes exemplares do livro. Por uma valor mais alto do que 20€ esperaria-se um cuidado bastante maior do que aquele que se verifica. Para além disso fica uma última nota relacionada com a tradução. Habituado às edições da Casa das Letras habituei-me também às traduções da Maria João Lourenço que são impecáveis. No entanto, esta tradução de Alberto Gomes não me convenceu e por vezes pareceu-me não reconhecer Murakami nas páginas que lia.
Aguardo ainda o dia (esperemos que não chegue) em que este fenomenal escritor me desiluda. Ler livros é ter prazer e mais prazer do que aquele que Murakami me dá é impossível.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
O Nobel da Literatura 2012

Bom, começo por dizer que apesar de conhecer o autor não conheço a sua obra. Serve isto para dizer que não me irei indignar ou criticar a escolha por estar à espera que ganhasse qualquer outro autor. Não esperava ao contrário de muitos, que fosse Haruki Murakami o galardoado. Apesar de apreciar imenso o autor e ser sem dúvida um dos autores que mais prazer me dá, penso que a academia Sueca não planeia atribuir-lhe esse prémio num futuro tão próximo.

Quanto ao grande galardoado, Mo Yan, tem apenas uma obra publicada em Portugal pela Ulisseia, Peito Grande, Ancas Largas que está aparentemente esgotada nas livrarias. Esperava este ano a vitória talvez de um autor Norte Americano, talvez Phillip Roth ou Don DeLillo, eternos favoritos. Nunca atribuo grande importância a vencedores de Nobeis nem faço desse prémio uma referência para autores que pretendo ler futuramente. Afinal de contas, há tantos que não ganharam e alegadamente mereceram e outros tantos que ganharam e que alegadamente não mereceram.
Merecido ou não, e será certamente mais merecido o da Literatura do que o da Paz dos últimos anos (inclusive o de este ano) o Nobel está entregue. Esperamos agora pelo próximo e pelas suposiçoes, pelas casas de apostas, pelas indignações e indiferenças.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
(Re) começo
Depois de um tempo parado e de palavras não escritas, o espaço reabre sem nunca ter fechado.
Espaços novos, espaços velhos. De tudo.
Próximos dias mais uma opinião de mais um livro de Murakami.
Próximos dias, um passatempo.
Veremos no que dá.
Boas leituras!
domingo, 24 de junho de 2012
Mulheres - Charles Bukowski

Se optasse por escrever aqui apenas o título do livro seria suficiente para o descrever e resumir: Mulheres. É este o tema principal e quase único desta obra. As mulheres de Bukowski. Ou as mulheres de Chinaski se quisermos ser precisos. Esta é mais uma das obras onde Henry Chinaski, alter-ego do autor, é o polémico protagonista. Nesta obra estão retratadas várias situações que descrevem as relações pessoais de Chinaski com as mulheres.
Atormentado com a sua aparência e as dificuldades que tinha em arranjar namoradas aquando da sua juventude, Chinaski, agora com 50 anos, vai tornando realidade as suas fantasias de adolescente. Tornando-se relativamente célebre devido à sua escrita de poemas e contos maioritariamente, Chinaski vê nesse reconhecimento uma forma de poder estar com Mulheres que lhe eram inacessíveis anteriormente. Em toda a obra, as mulheres são tratadas muitas vezes como objectos e daí a polémica que tal como noutros livros do mesmo autor, existe em redor deste livro. Mantendo-se um homem duro e rude, Chinaski continua a descurar o respeito pelos outros e vive num panorama boémio não comum para um homem que se aproxima a passos largos dos 60 anos. Álcool em excesso e drogas são também um tema central da obra e constituem parte da personalidade de Chinaski e também de Bukowski. Esta é uma escrita agressiva com linguagem corrente não havendo nenhuma censura do tradutor para as palavras consideradas mais "fortes" e que são muitas vezes substituídas por outras mas socialmente aceites. Apesar da agressividade deste livro, há vários momentos onde é possível observar uma certa sensibilidade por parte do autor. A morte e a velhice surgem muitas vezes como parte integrante desta obra quando Henry Chinaski se olha ao espelho e vê a morte nele mesmo. Vê a morte prestes a tocar-lhe e a levá-lo. Chinaski sente-se e faz já planos para a sua morte no glorioso ano de 2000, onde na altura terá 80 anos.
Apesar da escrita se manter ao estilo de Bukowski, esta é uma obra diferente. Uma obra onde existe uma reduzida originalidade da história e onde muitas vezes o que acontece num capítulo parece acontecer novamente no seguinte e no seguinte.
Gostei da obra, talvez também pelo meu fascínio pelo autor não sendo no entanto, das minhas preferidas.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Dois anos sem Saramago

Serve este post apenas para relembrar um dos meus escritores favoritos.
Ontem, cumpriu 2 anos desde a partida de Saramago que nos deixou obras simplesmente magníficas. Memorial do Convento, Intermitências da Morte, Ensaio Sobre a Cegueira são apenas alguns títulos de uma vasta obra que ficará connosco para sempre.
É uma honra poder lê-lo.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Os Anões - Harold Pinter
Foi com enorme expectativa que adquiri e comecei a ler este livro. Já há algum tempo que pretendia fazê-lo e consegui finalmente realizar esse desejo. Verdade seja dita, as expectativas estavam demasiado altas e acabei a leitura deste livro com um sabor amargo de desilusão.
Comecemos por explicar o contexto em que a obra foi criada. Importante dizer que este é o único romance de Pinter tendo este vencido o prémio Nobel em 2005 maioritariamente devido à sua vasta obra teatral. Apesar de escrito nos inícios dos anos 50, Pinter decidiria apenas em prosseguir para a publicação em 1989, após voltar a reler o livro e fazer os cortes que achou necessário. Tudo isto é explicado numa nota introdutória nas próprias palavras do autor. Ao ler esta obra é evidente o porquê de Pinter ter optado pela via teatral ao invés da via de romancista pois todo o livro apresenta características evidentes de uma peça de teatro. O autor presta especial atenção aos diálogos entre as 4 personagens principais, Mark, Pete, Len e Virginia, diálogos esses que constituem grande parte da obra onde a relação muitas vezes tempestuosa entre todos cria vários conflitos no desenrolar da história. Para além disso, a descrição física e a descrição das acções dos personagens torna evidente a aptidão do autor para a escrita de teatro. A parte que mais me agradou e que é sem grandes dúvidas a mais interessante da trama é o final do livro onde um diálogo aceso entre Mark e Len culmina numa discussão onde ambos revelam finalmente o que escondiam acerca um do outro.
Jovens problemáticos intelectuais. Uma trama amorosa não muito diferente do que já vi noutros romances. A meu ver, apesar de um livro que entretém, uma desilusão comparando as expectativas que tinha construído em seu torno.
Apesar de não ter ficado plenamente agradado com a obra, pretendo embarcar na leitura de algumas das suas obras teatrais pois a escrita do autor continua a despertar-me alguma curiosidade.
Comecemos por explicar o contexto em que a obra foi criada. Importante dizer que este é o único romance de Pinter tendo este vencido o prémio Nobel em 2005 maioritariamente devido à sua vasta obra teatral. Apesar de escrito nos inícios dos anos 50, Pinter decidiria apenas em prosseguir para a publicação em 1989, após voltar a reler o livro e fazer os cortes que achou necessário. Tudo isto é explicado numa nota introdutória nas próprias palavras do autor. Ao ler esta obra é evidente o porquê de Pinter ter optado pela via teatral ao invés da via de romancista pois todo o livro apresenta características evidentes de uma peça de teatro. O autor presta especial atenção aos diálogos entre as 4 personagens principais, Mark, Pete, Len e Virginia, diálogos esses que constituem grande parte da obra onde a relação muitas vezes tempestuosa entre todos cria vários conflitos no desenrolar da história. Para além disso, a descrição física e a descrição das acções dos personagens torna evidente a aptidão do autor para a escrita de teatro. A parte que mais me agradou e que é sem grandes dúvidas a mais interessante da trama é o final do livro onde um diálogo aceso entre Mark e Len culmina numa discussão onde ambos revelam finalmente o que escondiam acerca um do outro.
Jovens problemáticos intelectuais. Uma trama amorosa não muito diferente do que já vi noutros romances. A meu ver, apesar de um livro que entretém, uma desilusão comparando as expectativas que tinha construído em seu torno.
Apesar de não ter ficado plenamente agradado com a obra, pretendo embarcar na leitura de algumas das suas obras teatrais pois a escrita do autor continua a despertar-me alguma curiosidade.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Rúbrica Video à Quinta 2
Hoje trago-vos a curta metragem que venceu o Oscar de melhor Curta metragem da cerimónia anual dos Oscares do cinema.
A curta chama-se The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore e é sem dúvida um prazer e uma crianção magnífica.
Fiquem com um vídeo e prometo que são 15 minutos passados com qualidade:
A curta chama-se The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore e é sem dúvida um prazer e uma crianção magnífica.
Fiquem com um vídeo e prometo que são 15 minutos passados com qualidade:
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