sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Aquisições da Semana (1)

Esta semana as aquisições foram poucas mas sem dúvida muito boas! Adquiri três livros nos quais deposito muitas expectativas. O primeiro livro é de um autor que tive o prazer de ler recentemente e desde então tem sido um dos meus alvos e tenho tentado adquirir vários dos seus livros. A obra que li dele foi "As Viagens ao Scriptorium" e desde então já consegui "A Trilogia de Nova Iorque", "O Livro  das Ilusões" e o recém chegado:

O segundo livro é de um autor que tem sido bastante falado maioritariamente pela sua volumosa obra "2666". Não consegui colocar mãos nesse livro embora o tenha na minha wishlist. Contudo, adquiri outro que me veio parar às mãos quase por acaso:


O terceiro e último livro adveio do meu interesse por autores de nacionalidade Japonesa. Como já seguia este livro que apresenta uma bonita edição da Alfaguara há já algum tempo não deixei fugir a oportunidade:


Nestes três exemplares gastei na totalidade: 0€! É verdade, todos este livros vieram através da plataforma winkingbooks que tem sido uma importante ajuda para a minha biblioteca privada.



Imagem do Dia (2)

Hoje trago-vos uma forma criativa e engenhosa de dar um uso especial aos nossos livros antigos ou aos que já não temos interesse.

Não consegui encontrar o autor e executor desta ideia mas está sem dúvida muito bem pensado. Se é confortável ou não é algo que não tenho conhecimento mas é indubitável que fica excelente num escritório ou numa sala de estar.
O que acham?

A Casa Quieta - Rodrigo Guedes de Carvalho


Este é um livro que transborda tristeza. É agonizante o seu ritmo lento e pesaroso. Estas páginas mostram-nos um arquitecto na casa dos sessenta de seu nome Salvador. Salvador é marido de Mariana, doente com cancro que aguarda (im)pacientemente o inevitável toque esquelético que a fará desaparecer. Junta-se a este elenco António, irmão de Salvador e ex-militar com um grave trauma de guerra que o transportou para a loucura. É um livro de emoções fortes que deixo uma visão negra e depressiva das vivências de uma família incomum. 

A estrutura do texto é um aspecto interessante deste livro onde o autor opta por utilizar vários saltos no tempo e vemos a acção decorrer ora no presente, ora no passado, voltando depois para o presente.
Para dizer a verdade fiquei algo frustrado após a leitura do livro. Em primeiro lugar porque acho que a ideia da história poderia ter sido desenvolvida de uma forma mais cativante mantendo ainda assim o sentido de tristeza que obviamente o autor quis deixar transparecer. Em segundo lugar sinto-me frustrado porque fica a sensação de que o autor tem talento e poderia ter feito muito melhor com as ferramentas que tem à disposição. Fica no entanto a ideia de que com um pouco mais de experiência e após conseguir criar uma identidade e um estilo próprio, Rodrigo Guedes de Carvalho poderá tornar-se para além de um excelente jornalista, um escritor a ter em conta. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Vida Verdadeira - Vasco Luís Curado

Este foi um livro que me disse pouco. Foi um livro que me disse pouco e onde pouca coisa parece acontecer. Não conhecia o autor e vi-me atraído por uma bonita e chamativa edição da D. Quixote.
Neste livro o autor relata uma visita de uma agente imobiliária e de um fotógrafo a uma casa que está à venda. Vergílio, o protagonista, guarda nesta casa memórias imensas de toda a sua vida. Como usado na contracapa do livro, a sua casa é "um casulo de memórias. Memórias essas que Vergílio recorda durante a visita da imobiliária intercalando  o relato dessas mesmas memórias com os actos dos dois "invasores". Rodeada de edifícios empresariais comuns e pouco originais, a casa de Vergílio é o unico elemento familiar que se mantém numa cidade outrora diferente. São inúmeras as recordações de Vergílio. Desde os rufias que o maltratavam e o tio que os ameaçava com as suas insígnias e armas até à sua mãe, avó e bisavó que como numa escada, de idades e alturas, controlavam a sua vida e o manipulavam a seu bel-prazer. Com pouca preparação para a vida comum Vergílio surge como uma pessoa inveteradamente inadaptada que parece não possuir grande entusiasmo com a vida. 
Não sou capaz de dizer que é um romance do qual não gostei mas tampouco sou capaz de dizer que gostei. É certamente algo diferente, seja qual for o significado dessa perspectiva. Apontado como um autor a ter em conta no futuro, é possível denotar talento neste escritor mas ainda assim alguma imaturidade literária que com trabalho e evolução poderão ser corrigidas e resultar em algo bastante interessante.
Recomendo, mesmo que apenas para conhecer um autor pouco falado e que poderá dar cartas.

sábado, 20 de outubro de 2012

Manuel António Pina


Uma curta homenagem a este grande poeta que nos deixou. Ficámos mais pobres, mas obrigado pelos livros que nos deixaram mais ricos.


Mizé - Antes Galdéria do que Normal e Remediada - Ricardo Adolfo

Ora desta vez optei por ler um escritor Português, de seu nome Ricardo Adolfo e não poderia estar mais satisfeito. Que grande leitura esta. Já tinha ouvido muitas opiniões e criticas positivas relativamente a este autor e a este livro e assim que surgiu a oportunidade de o adquirir não a deixei fugir. Apesar de já estar à espera de um livro com alguma qualidade não esperava que esta leitura me proporcionasse tamanho prazer.
Mizé, cabeleireira e destinada a ser famosa independentemente dos meios que possa utilizar. Palha, o ingénuo vendedor de batatas fritas que vê em Mizé uma paixão e um sonho que o leva a pedi-la em casamento. A ânsia de fama que Mizé possui traz vários episódios atribulados para a vida de Palha que deixam o protagonista completamente desnorteado. Palha parte numa busca para saber toda a verdade obscura do passado da sua mulher embora tentado muitas vezes em esquecer e concentrar-se no que ele quer, nomeadamente, noites inteiras de carinho com a exuberante Mizé que não tem na mente o mesmo objectivo de futuro. Concentrado na inocência da sua mulher, Palha não se apercebe na teia de mentiras em que ele próprio ficou preso. Com problemas no emprego, Palha vê lentamente a vida que conhecia desmoronar-se sem que este possa fazer nada e vê na sua estrela Mizé uma relação cada vez mais confusa.
Este livro é a imagem dos suburbios. Não faltam o calão e os palavrões. Não faltam as conversas de café e as coscuvilheiras e coscuvilheiros. Não faltam as bicas e as garrafas de vinho. Não falta a pornografia e o prazer. Ricardo Adolfo é exímio na criação dos diálogos de cada personagem que soam exactamente ao que estamos habituados a ouvir aquando de situações semelhantes nos suburbios das grandes cidades. As relações entre as várias personagens são perfeitamente desenhadas tornando o bairro social Esperança num mundo colorido e divertido. As personagens embarcam em diálogos repletos de comicidade que com várias expressões idiomáticas arrancam com facilidade verdadeira gargalhadas ao leitor. 
Recentemente, pela mão do realizador António Pedro Vasconcelos, este romance foi alvo de uma interpretação feita por Nuno Markl (Palha) e Ana Galvão (Mizé). 
É um livro sem dúvida recomendável que proporciona vários momentos de prazer. É um escritor a que tentarei voltar com brevidade assim que terminar algumas leituras pendentes.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Imagem do Dia (1)

Algo que aprecio bastante são estantes de outros leitores e apreciadores de livros. Gosto muito de poder ver o espólio literário daqueles que vêem no coleccionamento, para além da leitura, um hobby interessante. Para além disso, atraem-me também novas formas de expor as nossas preciosidades de formas esteticamente menos comuns e que surpreendam à primeira vista.
Para iniciar esta rubrica trago-vos uma imagem com 3 exemplos de estantes com formas que não vemos no quotidiano. Muito criativo sem dúvida.


Para os que partilham deste meu interesse, fica o link de mais formas de surpreender :)

domingo, 14 de outubro de 2012

Norwegian Wood - Haruki Murakami


Este foi o primeiro Best Seller do autor vendendo vários milhões de cópias em todo o mundo e já adaptado ao mundo cinematográfico. Publicado em 2004 em Portugal, é um romance de 1987.

E é mais um livro de Murakami e mais um tiro certeiro do escritor Japonês. Parece haver uma formula infalível pela qual o autor se rege não havendo margem para erro. Várias relações amorosas. Instabilidades físicas e mentais. Personagens com características pouco comuns. Acontecimentos do sobrenatural. Morte. E música. Muita música. Não significa contudo que os seus romances sejam todos iguais ou que sigam todos a mesma linha de desenvolvimento. De facto, estão muito longe disso. Murakami é um mestre contador de histórias. 
Neste livro temos como protagonista Toru Watanabe, um estudante universitário que reside num dormitório com uma personagem peculiar, de sua alcunha Sargento. Watanabe vê no romance de Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, uma inspiração. Trabalhando em part-time em diversos empregos Watanabe ganha o suficiente para viver uma vida de estudante desafogada. Enlaçadas nesta história estão Naoko e Midori. Ambas com personalidades peculiares, estas complementam todo o enredo da história e é com este trio que convivemos durante as cerca de 350 páginas que constituem este romance. Naoko, ex-namorada do melhor amigo de Watanabe, Kizuki. Grande paixão de Watanabe mas que com a morte do seu namorado e amigo de infância interna-se numa instituição de recuperação para pacientes cujas características não estão bem definidas. Midori, colega de faculdade de Watanabe. Uma personagem sincera e excitante e muitas vezes "desbocada" que traz novas emoções ao protagonista. A toda a atmosfera de instabilidade emocional que assola o livro juntam-se os constantes movimentos estudantis característicos dos anos 60 onde o romance se passa. 
Este é um livro bastante emocional que denota que desde o início Murakami tem uma habilidade tremenda para fazer sentir. Ele faz-nos sentir cada personagem, cada diálogo, cada passo.

Não tivesse gostado tanto do livro e as palavras que se seguem seriam bem mais duras. Fica então uma crítica para a editora que disponibilizou o livro, a Civilização. A impressão é mesmo muito pobre com vários parágrafos do livro com falta de tinta. Por momentos pensei que fosse apenas da minha edição mas verifiquei casos similares em diferentes exemplares do livro. Por uma valor mais alto do que 20€ esperaria-se um cuidado bastante maior do que aquele que se verifica. Para além disso fica uma última nota relacionada com a tradução. Habituado às edições da Casa das Letras habituei-me também às traduções da Maria João Lourenço que são impecáveis. No entanto, esta tradução de Alberto Gomes não me convenceu e por vezes pareceu-me não reconhecer Murakami nas páginas que lia.

Aguardo ainda o dia (esperemos que não chegue) em que este fenomenal escritor me desiluda. Ler livros é ter prazer e mais prazer do que aquele que Murakami me dá é impossível.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Nobel da Literatura 2012


Bom, começo por dizer que apesar de conhecer o autor não conheço a sua obra. Serve isto para dizer que não me irei indignar ou criticar a escolha por estar à espera que ganhasse qualquer outro autor. Não esperava ao contrário de muitos, que fosse Haruki Murakami o galardoado. Apesar de apreciar imenso o autor e ser sem dúvida um dos autores que mais prazer me dá, penso que a academia Sueca não planeia atribuir-lhe esse prémio num futuro tão próximo. 


Quanto ao grande galardoado, Mo Yan, tem apenas uma obra publicada em Portugal pela Ulisseia, Peito Grande, Ancas Largas que está aparentemente esgotada nas livrarias. Esperava este ano a vitória talvez de um autor Norte Americano, talvez Phillip Roth ou Don DeLillo, eternos favoritos. Nunca atribuo grande importância a vencedores de Nobeis nem faço desse prémio uma referência para autores que pretendo ler futuramente. Afinal de contas, há tantos que não ganharam e alegadamente mereceram e outros tantos que ganharam e que alegadamente não mereceram.

Merecido ou não, e será certamente mais merecido o da Literatura do que o da Paz dos últimos anos (inclusive o de este ano) o Nobel está entregue. Esperamos agora pelo próximo e pelas suposiçoes, pelas casas de apostas, pelas indignações e indiferenças.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

(Re) começo

Depois de um tempo parado e de palavras não escritas, o espaço reabre sem nunca ter fechado. Espaços novos, espaços velhos. De tudo. Próximos dias mais uma opinião de mais um livro de Murakami. Próximos dias, um passatempo. Veremos no que dá. Boas leituras!