quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Esmeralda Cor-de-Rosa de Carlos Reys

Opinião: 
Em primeiro lugar sinto-me na obrigação de salientar a enorme simpatia do autor não só por ter disponibilizado um exemplar para passatempo no blogue e outro para a leitura mas também pela gentileza das suas palavras nas breves conversações que tivemos por via de email. Falemos então do que realmente interessa.

Não é fácil definir esta obra. Mas é fácil de exprimir o prazer que esta me proporcionou. Com este seu primeiro romance fica uma pergunta: Porquê só agora? O talento para as artes de Carlos Reys é inegável e após ler este seu primeiro romance verifico que para as letras o mesmo acontece. O autor revela uma sensibilidade de escrita e uma habilidade apenas comum naqueles que já produzem esta arte há muito tempo.

Carlos Reys através de histórias paralelas que se coadunam entre si constrói um enredo interessantíssimo que prende o leitor desde a primeira à última palavra. Do título provém uma das personagens principais, Esmeralda Cor-de-Roda que enriquece este livro com a sua aparência física mas também com o seu carácter e personalidade. Mas engane-se o leitor que pensa que é apenas este o foco do livro. Neste livro existem também Sara, filha de Violeta (ou não) e Elias (ou não). Os atentos vizinhos Faustino e Natália que acodem Violeta sempre que o bêbado Elias parte para mais uma jornada de copos. A astuta parteira com atitudes polémicas mas realizadas de boa fé. O simpático Figas que deixa todo e qualquer leitor comovido depois do seu trágico destino. Guilherme Esteves, o sábio mentor do autor que nos entretém e nos deixa boquiabertos com as suas incríveis histórias. E de história também trata o livro. São abordados temas como a Segunda Guerra Mundial ou o 25 de Abril. O conhecimento histórico do autor e a veracidade dos factos que aborda são também impressionantes e denotam a pesquisa que foi feita quando da escrita deste romance. Merecem sem dúvida destaque as descrições que o autor faz das personagens que foram certamente muito trabalhadas. Não só as características físicas dos intervenientes são abordadas mas também o psicológico de cada um e as suas vicissitudes. As histórias interagem entre si harmoniosamente interligando elementos de umas para as outras que estão perfeitamente ligados de modo a construir um enredo lógico.

Apesar de ser um romance triste onde os protagonistas conhecem quase todos destinos menos favoráveis, senti-me feliz a ler as palavras de Carlos Reys. Senti que era a realidade aquilo que estava a ser escrito (e de certa forma é) e senti-me próximo do que estava a ler. Fiquei mesmo muito satisfeito com esta leitura e aguardo ansioso mas paciente por mais notícias de Carlos Reys no mundo da literatura. Entretanto, acompanhemos todos as suas diferentes obras de arte.

Recomendo!

4 comentários:

  1. Estou quase, quase, a acabar de o ler. A construção da narrativa agrada-me, lê-se com grande facilidade. Muito agradável.

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    1. Concordo consigo.
      É uma leitura muito agradável :)

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  2. “A arte oferece-nos a única possibilidade de realizar o mais legítimo desejo da vida – que é não ser apagada de todo pela morte”.
    Eça de Queirós




    Sempre conheci o Carlos Reys como uma pessoa com muita sensibilidade, envolvido nas suas pinturas e nos seu desenhos, mas não o imaginava a enveredar pelo mundo literário e posso dizer que foi para mim uma grande e agradável surpresa quando li Esmeralda Cor-de-Rosa.

    Trata-se de um livro cheio de emoções e vidas cruzadas. Página por página vai criando laços e ficando atraídos pela narrativa, pela graciosidade das imagens e pela leveza de estilo.

    Esmeralda Cor-de-Rosa descreve um período passado após a 2ªguerra mundial até ao 25 de Abril de 1974, no qual, o autor relata diversos aspectos sociais e políticos da época, tanto em Portugal como no mundo e um mundo em transformação pelo desenvolvimento tecnológico. Descreve os espaços e as personagens tipicamente portugueses daquela época, de forma minuciosa, colorindo o provincianismo do ambiente de uma pequena cidade - “Foz do Nogueira”.

    É um livro interessante, cheio de momentos marcantes e onde as surpresas se sucedem.

    Isabel Gil
    (Estocolmo)

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    1. A partir de agora seguirei a carreira do artista e escritor Carlos Reys nas mais diferentes áreas :)

      Boas leituras!

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